Há uns tempos, mais não se fazia
do que encontrar um bom carreto
de surf casting e adaptá-lo
a esta pesca; mas hoje, apesar
de essa opção ainda ser, em alguns casos,
uma realidade, na nossa opinião já não
compensa. A oferta é tão diversificada que
mais vale adquirir logo uma máquina para
o que pretendemos.
A importância dos pormenores
Quando escolhemos um carreto, devemos
saber perfeitamente o que queremos: algo
que dê para tudo (desaconselhável) ou algo
mais específico. E aí é que o pescador com
menos experiência sente algumas dificuldades,
para não dizer muitas. Este Percurso pela Pesca Embarcada dita ligeira faz-nos
abordar somente essa vertente e assim iremos
debruçar-nos essencialmente na escolha
de um carreto virado para esta modalidade.
O RATIO
Para que serve e o que nos diz este valor?
Apenas nos dá uma indicação que será objecto
para as nossas conclusões/escolhas. O ratio
indica quantas voltas o fio dá na bobine
enquanto damos uma volta de manivela; por
exemplo, um ratio de 5.2:1 diz-nos que, após
uma volta completa da manivela, o fio deu
cinco voltas e duas décimas na bobine.
Depois, as conclusões: quanto maior for o
valor indicado, maior a velocidade do carreto e menor a sua força. Assim, um carreto
com ratio de 3.4:1 é uma máquina muito
lenta, mas cheia de força; ao invés, outro
com um valor de 6.3:1 tem uma enorme
velocidade, mas peca na genica de trazer
um exemplar maior.
Assim, e como em tudo na vida, nem muito
ao mar, nem muito à terra, há que escolher
algo que nos dê ambas as coisas (força e
rapidez). O ratio que aconselhamos deverá
estar entre os 4.8:1 e os 5.2:1.
O TIPO DE BOBINE
Este é outro pormenor a ter em atenção.
Convém escolhermos um carreto cuja bobine
permita um enrolamento entre os 55 e os
70 cm — não vale a pena ter um ratio muito
elevado se a bobine só levar 30 cm em cada
enrolamento.
Depois, bobines muito profundas, de
forma a levarem muito fio, também são
desaconselháveis: as linhas que usamos no
carreto são finas (futuramente falaremos destas em espaço próprio) na casa dos 0.15,
0.16 mm… e nesse caso precisaríamos de
muitos metros para encher uma bobine
dessas.
DICA
Esta situação é ultrapassada com
o enchimento da bobine com um monofilamento
forte, mas não há necessidade
de escolher um carreto com bobines
que levem muito fio
Outro pormenor importante é o enrolamento
correcto da linha, pois lidamos com
multifilamentos e, caso o enrolamento do
carreto seja mau, podemos facilmente estragar
não só uma bela saída mas também metros
e metros duma linha tão cara.
Uma das coisas mais importante que os carretos
têm de possuir, para a nossa modalidade, é
uma embraiagem eficaz e facilmente ajustável
A MANIVELA
Um pormenor de muito relevo! Deve possuir um punho ergonómico, ou seja, que
se adapte bem à nossa mão. Não devemos
usar punhos nem muito pequenos nem
demasiado grandes, pois, conforme foi dito
anteriormente, na nossa modalidade estamos
constantemente a ‘trabalhar’ com o carreto
e punhos desajustados causam cansaço
(além de lesões, posteriormente).
A EMBRAIAGEM
Finalmente, uma das coisas mais importantes
dos carretos desta modalidade é uma embraiagem
eficaz e facilmente ajustável. Esta parte
do carreto deve funcionar como um relógio,
para que, em momentos mais complicados,
não tenhamos de andar a apertá-la ou a desapertá-la constantemente
Já pescámos com
muitos e bons carretos, mas alguns, apesar
de serem excelentes máquinas, muito fiáveis,
ficaram para trás devido à ‘complicação’ da
regulação instantânea da embraiagem.
Resumindo, um carreto de uma liga forte
mas leve, ratio a rondar os 5.0;1, quantidade
e qualidade de enrolamento e embraiagem
como um relógio são os nossos alvos primordiais!
Esta série conta com o apoio da loja J. Salvador
Artigos de Pesca (Faro)
Em relação ao corpo do carreto, este não deve ser fabricado em plásticos, ou algo
do género, pois numa só jornada embarcada fazemos trabalhar mais o carreto
do que um pescador de surf casting, por exemplo, o faz em dez saídas. Há
que optar por um carreto com corpo e veio de uma liga forte, de forma a não
nos preocuparmos com problemas de torção de cada um destes elementos.
E tudo isto sem esquecer o peso! Ligas fortes… mas leves, pois carretos acima
de 600 g são desaconselháveis e desajustados — e os braços, depois, acusam o esforço.
O tamanho mais comum para carretos a usar na embarcada era, e ainda é, o 10.000
(tamanho comum de algumas marcas, como a Shimano, a Tica). Mas com a adaptação
das marcas à nossa realidade, é cada vez mais comum encontrar carretos no tamanho
6000. Estes, além de mais equilibrados para esta pesca, são também mais leves.